Queria eternizar aqui que depois de algum tempo, assisti o  Programa “ESQUENTA”. Tendo como condutora a Regina Casé , eles misturam tudo que “tá pipocando”  nesse  “brasilzão de meu Deus”,jogam no liquidificador e servem para o expectador .Sem açúcar.
Rola umas coisas que a priori poderiam dividir o mesmo espaço, mas não aconteceriam ao mesmo tempo: na mesma roda tem samba, pagode, funk,sertanejo,música de festa junina […]
Você tá assistindo tranquilo,dá um pause e vai ao banheiro.Quando volta  aparece umas galeras que fazem música gospel nos mesmos ritmos supracitados. Você fica  surpreso, mas aí em um piscar de olhos a pira é outra,coisas do tipo  “É o amor” no ritmo do Olodum.
Sim,essa é a hora que você está confuso.Sente-se mais seguro quando  vê umas celebridades e ingenuamente imagina  “Ah tá!É só mais um programa de fofoca”. Para o seu alivio você está novamente em um campo conhecido: começa  uma vibe “ Contigo”.
No entanto aparecem  também intervenções de intelectuais, gestores sociais, ex-presidiários, crianças.Surge um garoto tocando  flauta transversal  no ritmo de “Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci”.(!!!)Aparece do nada uma orquestra “sanfônica”. (!!!)E  no meio de tudo isso rola uma discussão política / social DENSA  pra ESQUENTAR os ânimos de fato.
É muita informação e confesso que fiquei meio barata tonta .Mas ouso dizer que pela primeira vez na vida eu vi um programa de auditório que se preocupa em mostrar  um Brasil que é de fato plural.Não há muitas hierarquias rígidas: todo mundo é zuado,todo mundo é respeitado.
A cara do Brasil que o  “Esquenta” mostra  não é só do sudeste,não é só branca,não é só mainstream.São muitos universos brincando naquela uma hora e pouquinho.Observemos.Acho que há muita coisa interessante ali.

No  episódio de hoje destaco  duas coisas:

1)Essa “ intro” ao programa:http://tvg.globo.com/programas/esquenta/O-Programa/noticia/2013/06/gravado-antes-das-manifestacoes-programa-fala-da-vitalidade-do-povo-brasileiro.html
Vindo da rede Globo a gente acaba suspeitando de tudo,mas achei essa introdução menos partidária e mais politizadora,principalmente porque está  pontuando a necessidade de uma   “melhor circulação das pessoas e das IDÉIAS” …

2) A   participação de um  filósofo  – que eu obviamente esqueci o nome- .
Uma hora o cara disse que a Luane (hit da internet que você pode ver aqui: http://www.youtube.com/watch?v=HU0FmnOut2A) era na verdade uma filósofa. Todo mundo riu,inclusive ela. Ele retomou a palavra e explicou que  os comentários dela mostravam que na verdade ela refletia  sobre a realidade em que estava inserida,e isso também é filosofia. Veja o efeito simbólico da coisa: Ele, o cara que era o estabelecido enquanto a voz do conhecimento – “o cara que deu aula pro Obama “-  estava defendendo que  o raciocínio que a menina da periferia  fazia sobre “as tretas da vila dela” estavam no mesmo patamar que o dele.Ele autorizava,sem nenhuma prepotência, um outro que em geral não tem legitimidade.Achei demais.
E para finalizar minha alegria rolou essa: ele tinha um sotaque gringo e  alguém  brincou com isso.Ele respondeu  com a pérola: ”Eu tenho sotaque na voz,mas não tenho no pensamento.Isso é importante”.
É ISSO !Aprendamos !Menos vibe de  querer “civilizar” o universo,mais vibe de dialogar com ele!

Deixo o clássico abaixo para  pensarem nessa representação da cultura nacional:Observem o sertanejo  “rootz” , de uma tradiçãozona rural , dialogando com uma manifestação do Olodum,galera que faz um som remetendo a cultura afro em um contexto mais urbano…