Dois dias atrás li um pequeno relato de  uma colega de curso que está fazendo o Doutorado na Argentina.Achei tão bonito que quis eternizar aqui nos meus momentos.
“Ontem, no ensaio da peça que estamos montando sobre a ditadura militar argentina, trabalhamos com improvisações de tortura. No final, quando comentávamos, alguns atores começaram a chorar. Em seguida choraram muitos, numa catarse coletiva impressionante. Eu, alí meio antropóloga, de olhos arregalados para não perder nenhum detalhe de nada, me desarmei quando o diretor disse: “chorem… para uma ferida fechar é preciso que o sangue corra (…) é esse o nosso trabalho”. Minhas lágrimas rolaram, sim, porque me dei conta que no Brasil a ferida não fecha porque de pronto estancamos o sangue. Porque abafamos fatos, porque separamos brigas, porque impomos consensos. Porque temos medo de sangrar. E assim nos traumatizamos, nos violentamos, nos construímos mancos de memórias e mancos de justiça.”
Giovana Bonamim
Vamos chorar nossa história ,quem sabe assim ela não se repete.